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Profissionais do HRSP participam de capacitação sobre doação de órgãos

Dentre os estados que mais se destacaram na doação de órgãos, Santa Catarina lidera a lista, com aumento de 22%, representando 36,8 doadores por milhão de população (pmp).

Duas enfermeiras do Hospital Regional São Paulo – ASSEC participaram na última semana de uma capacitação sobre doação de órgãos que aconteceu em Balneário Camboriú. As profissionais, Fabiana Floriani, gerente de enfermagem e membro da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) e a coordenadora de enfermagem Vanessa Picolli. O evento tratou sobre a abordagem familiar feita após a confirmação da morte do paciente. Santa Catarina quer preparar melhor os membros das comissões, para reduzir o número de negativas por parte das famílias de pacientes.

Conforme um levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) em conjunto com o Ministério da Saúde, em 2016 aumentou em 3,5% a taxa de doadores efetivos no país. Apesar do acréscimo, o índice ainda ficou 3,4% abaixo do objetivo do ano.

 

Santa Catarina se destaca nas doações

Dentre os estados que mais se destacaram na doação de órgãos, Santa Catarina lidera a lista, com aumento de 22%, representando 36,8 doadores por milhão de população (pmp). “A gente percebe que evoluiu bastante. A região Sul do país é a que mais tem captação de órgão por milhão de habitantes. Acho que as equipes são mais preparadas para a abordagem das famílias. O Estado de Santa Catarina tem um cronograma intenso de capacitações para quem é membro da CIHDOTT”, explica a enfermeira coordenadora Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do Hospital Regional São Paulo, Fabiana Floriani.

Para se ter uma ideia da expressiva colocação no ranking de doadores, SC registrou índice maior que a Espanha. “A Espanha é o país com o maior número de doações de órgãos por milhão de habitantes em 2016. Agora temos o grande desafio de, pelo menos, mantermos esse número e não deixá-lo cair”, aponta a coordenadora.

Todos os anos, o Estado Catarinense promove um encontro estadual de capacitação para coordenadores de transplante. Nesta edição o evento foi voltado à abordagem da família, justamente para tentar melhorar ainda mais o índice. Em 2016, Santa Catarina liderou pelo décimo ano consecutivo em número de doadores por milhão, porém perde para o Paraná no índice de recusa familiar. No estado vizinho, há menos doações, mas as famílias aceitam com mais facilidade autorizar a captação dos órgãos. Por isso, é preciso melhorar a forma de abordar o assunto com as famílias de pacientes. 

 

Conversar sobre a doação em casa

Ainda não existem mecanismos na legislação brasileira que garantam a vontade do paciente em doar os órgãos. Mesmo que ele tenha deixado a intenção registrada em cartório, quem dá a palavra final são os familiares. Por isso, uma conversa franca é a melhor ferramenta para um doador garantir que seus órgãos possam salvar vidas.

Conforme Fabiana, no ano passado em Santa Catarina houve 537 notificações de morte encefálica como possíveis potenciais doadores múltiplos. Destes, apenas 251 famílias autorizaram a doação de órgãos, o que representa 47% dos casos, menos da metade. “Nós temos um gargalo da entrevista familiar, que é nesse momento que se diz não. Dessas 537 notificações 26% dos casos foram negativa da família, por não aceitar a doação”, argumenta.

Em muitos casos, a família desconhece a vontade do paciente e fica com a responsabilidade de decidir pela doação ou não. “Eles falaram muito sobre a entrevista familiar, pois hoje a maior negativa que temos é a recusa da família. A família não quer doar muitas vezes por não ter conversado com a pessoa que morreu. Quando você compartilha isso em casa ou com as pessoas próximas, como na escola, na faculdade, num grupo de amigos, no momento em que fazemos a abordagem a família aceita mais fácil entendendo como ‘um desejo do paciente’”, comenta a enfermeira.

Ainda de acordo com a coordenadora da CIHDOTT, no treinamento em que as profissionais do HRSP participaram se discutiu justamente o incentivo para que a doação de órgãos seja um assunto discutido em família. A ideia é conscientizar para que conversem sobre o assunto ou até mesmo tornem publica essa vontade por meio das redes sociais. “Acredito que as famílias precisam conversar. A partir do momento que eles entendem que eu quero ser doador, não vai haver dúvida na hora da doação e vão inclusive fazer isso como um acalento, pois não é a decisão da família e sim a decisão da pessoa que morreu. A família autoriza algo que já tinha sido discutido previamente”, argumenta.

 

Captações em Xanxerê

No Hospital Regional São Paulo, em 2016 foram realizadas dez abordagens a famílias onde houve a autorização para a doação das córneas.  As captações de córneas são as mais realizadas, pelo fato de que o hospital tem um perfil de poucas mortes encefálicas, que são aquelas que permitem a captação de múltiplos órgãos.  Os pacientes com problemas neurológicos são transferidos para a referência em neurologia, que é Chapecó.

“O nosso perfil de mortes na UTI é de parada cardiorrespiratória e nesses casos não existe a menor possibilidade hoje no Brasil de captar outros órgãos a não ser tecidos, que são ossos, córnea e pele. Porém, como não existe nenhum banco de ossos e pele na região não fazemos a retirada. Trabalhamos com a captação de córnea, pois Chapecó é nossa referência e lá eles fazem transplante, que tem banco de olhos”, explica Fabiana.

FONTE: Assessoria de imprensa
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